De farda, Telhada já fala em controlar entrada da Câmara em São Paulo

20/12/2012 07:43

'Não dá para aceitar um monte de pessoas que entra para tomar banho nas pias do banheiro', disse

Adriana Ferraz e Diego Zanchetta

Ao receber seu diploma de vereador paulistano com farda de coronel da PM, Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, de 52 anos, quis fazer uma homenagem "aos eleitores de São Paulo que querem uma resposta por mais segurança nas ruas." Entre os 55 eleitos, Telhada era o parlamentar mais procurado e comentado na cerimônia na Sala São Paulo, no centro da capital. Ao dar uma entrevista coletiva quase tão concorrida quanto à do próprio prefeito eleito Fernando Haddad (PT), o ex-comandante da Rota (tropa de elite da PM) também já polemizou: afirmou que vai implementar um controle de entrada e saída no Palácio Anchieta, a sede do Legislativo, por onde passam cerca de 4 mil pessoas por dia e trabalham 2 mil funcionários.

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"Não é que eu seja contra morador de rua, mas não dá para aceitar um monte de pessoa que entra lá para tomar banho nas pias do banheiro", afirmou o coronel. Com 89 mil votos, Telhada foi o quinto vereador mais votado. Ele rechaça sua inclusão na "bancada da bala" e afirma que "não existe nenhuma corporação "que defenda mais "os direitos humanos" do que a PM. Ornamentado com duas dezenas de medalhas recebidas em 31 anos de carreira, ele falou sobre como vai criar "um controle de entrada e saída igual das empresas" no prédio da Câmara.

Como vai ser a atuação do senhor dentro da área de segurança pública, que é um tema da esfera estadual?

Vou lutar pela valorização da Guarda Municipal e pelo aumento de seu efetivo. Há anos não se abre um concurso público para a corporação. Vou lutar todos os dias pela valorização desses guardas.

O senhor também quer combater os bailes funks nos bairros das periferias. De que forma vai fazer isso?

Não sou contra o baile funk, contra o funkeiro, de forma alguma. Sou contra a baderna na rua, som alto, venda de drogas. Para isso precisamos aplicar a lei. Os bailes precisam ser realizados em ambientes fechados, com controle, revista na entrada, acústica, e não no espaço público.

Ouvi dizer que o senhor também está preocupado com o acesso livre na Câmara. Vai mudar isso?

Eu falei com o Zé Américo (indicado para ser presidente a partir de 2013). Olha, eu não sou contra morador de rua, mas hoje entram várias pessoas que ficam tomando banho nas pias dos banheiros. Recebi diversos relatos de funcionárias que de deparam com desconhecidos dentro dos gabinetes. Isso precisa mudar, e não é uma medida ruim.

De que forma?

A entrada precisa funcionar igual em uma empresa, com foto e RG, com a pessoa dizendo para qual gabinete está indo. Isso não tem nada de ruim ou invasivo. Mas a pessoa que entra na Câmara precisa se identificar. Olha o furto que tivemos de laptops dentro do plenário neste ano. Isso é segurança e prevenção.

O senhor quer participar da Comissão de Direitos Humanos?

Olha, não existe ninguém que defenda mais os direitos humanos, os direitos dos cidadãos, do que a PM. Mas defendo que o cidadão de bem seja valorizado e o bandido seja colocado na cadeia. Precisamos de uma mudança na legislação para acabar com o indulto e com as visitas íntimas. Isso só existe no Brasil.

Mas isso são temas da União e do Estado, que o senhor não vai poder legislar.

Eu quero na Câmara Municipal dar início a essa marcha a favor da mudança na legislação. Não podemos mais aceitar a violência das ruas. Olha o secretário do Haddad (João Antonio, que teve a casa assaltada na madrugada de domingo no Tatuapé), que teve sua família zuada pelos bandidos.

O senhor sente muita falta do dia-a-dia na PM?

Muita, nem me fale, até hoje sonho que estou dentro da viatura. Foram 31 anos. Vocês nem imaginam as saudades que sinto. Agora é se preparar para um novo desafio.

Matéria publicada originalmente no Estadão.com.br