Servidor que fraudava presenças volta à Câmara de SP

21/03/2013 07:46

Conhecido como Zé Careca, servidor acessava o painel com a senha dos parlamentares ausentes e assegurava o pagamento integral do salário

Imagem mostra o servidor público José Luiz dos Santos, o Zé Careca, comandando o painel eletrônico da Câmara Municipal de São Paulo

O servidor público José Luiz dos Santos, o Zé Careca (à esquerda), comandando o painel eletrônico da Câmara Municipal de São Paulo (Epitacio Pessoa/Estadão)

Oito meses após ser revelada fraude na marcação de presença em plenário dos vereadores paulistanos, os servidores responsáveis pela irregularidade voltaram a comandar o painel eletrônico da Câmara Municipal, e sob o comando de José Luiz dos Santos, o Zé Careca. Nesta terça-feira à tarde, assim que foi visto pela reportagem, o assessor parlamentar abandonou o posto e pediu aos seguranças que impedissem que ele fosse fotografado.

Funcionário da Casa há mais de trinta anos, Santos atuava como uma espécie de 56º vereador. Apontado como chefe do esquema, acessava o painel com senhas pessoais dos parlamentares ausentes, assegurando assim quórum para início das sessões e pagamento integral dos salários – faltas rendem desconto de 465 reais no holerite. Em julho do ano passado, após a publicação da denúncia pelo jornal O Estado de S. Paulo, o servidor foi afastado do cargo.

A ordem para a volta de Zé Careca não partiu da presidência da Câmara. O servidor não teria pedido autorização para voltar à Câmara nem recebido orientação para fazê-lo. A decisão partiu de Zé Careca, que pela primeira vez nos últimos oito meses resolveu sentar no local onde costumava acessar o sistema. Ele permaneceu lá até perceber que estava sendo fotografado. Imediatamente, levantou e contatou a polícia da Casa, solicitando a retirada do fotógrafo do mezanino.

Em nota, o atual presidente da Câmara Municipal, José Américo (PT), lamentou o episódio e informou que "qualquer veículo de comunicação ou profissional de imprensa pode registrar livremente, por meio de imagens, o que ocorre nas sessões plenárias". A presidência também ressaltou que, por enquanto, não há qualquer tipo de impedimento legal que proíba o trabalho do servidor no plenário.

A fraude ainda é investigada pelo Ministério Público Estadual e Polícia Civil. Na época, a reportagem constatou por meio de fotos e vídeos que pelo menos dezessete vereadores eram favorecidos pelo esquema.

(Com Estadão Conteúdo)

Fonte: VEJA