Movimento fiscaliza o trabalho dos vereadores (METRÔ NEWS)

20/07/2011 10:00

Chico Junior

Com o objetivo de acompanhar o mandato dos vereadores paulistanos, um grupo de internautas criou a Rede Adote um Vereador em 2008. “Começou no fim da eleição, quando o Milton Jung lançou a ideia pela rádio no dia seguinte à divulgação do resultado [do pleito]”, diz o publicitário Massao Uehara, integrante da rede. A fim de acompanhar os mandatos, os internautas criaram ferramentas nas redes sociais, trocam informações e se reúnem mensalmente no Pátio do Colégio,  no Centro.

Segundo o radialista Milton Jung, são 18 blogs participantes. “Alguns são muito ativos. Outros nem tanto”, diz. Dentre os 55 vereadores que integram a Câmara, apenas dez foram ‘adotados’ – expressão usada pelos componentes do movimento. Jung aponta sazonalidade. “Na época eleitoral, o número aumenta sem que a pessoa entenda o processo”, diz.

“Na próxima eleição servirá como base de dados”, diz o aposentado Alecir Macedo, que ‘adotou’ o vereador Netinho de Paula (PC do B), o propósito das informações coletadas e divulgadas via Twitter ou blogs. O integrante do Adote escolhe qual parlamentar vai seguir e começa a acompanhar. Para a vereadora Juliana Cardoso (PT), a ação é positiva para a população e para o mandato. “A pessoa olha seu trabalho. É saudável para democracia”, diz.

Jung destaca a linha-mestra que orienta o Adote. “Tem de ter olhar crítico. Nem falar mal nem ser amigo”, aponta. Os coordenadores do Movimento Voto Consciente, Sônia e Danilo Barboza, acompanham as reuniões do grupo feitas no segundo sábado de cada mês. “Nunca tem falta de pauta, sempre acontece algo”, afirma Sônia, mesmo sem um tema prévio para ser discutido nos encontros.

Parlamentares ‘adotados’ por internautas da rede Adote um Vereador:

Abou Anni (PV)

Anibal de Freitas (PSDB)

Antonio Carlos Rodrigues (PR)

Antonio Donato (PT)

José Police Neto (sem partido)

José Rolim (PSDB)

Juliana Cardoso (PT)

Marco Aurélio Cunha (DEM)

Marta Costa (DEM)

Netinho de Paula (PCdoB)

Via internet, cidadão participa da política

“Eles têm um sistema que colocam todas as informações do mandato e a minha [adotante] é a Audrey [Danezy]. Ela sempre entra em contato. Liga para saber, ouve a subprefeitura e o lado da comunidade também”, diz a vereadora Juliana Cardoso (PT) sobre a participação do movimento nas  suas ações. “Nem sempre o vereador entende a proposta”, diz o integrante da rede, Alecir Macedo.

Para o vereador Marco Aurélio Cunha (DEM), o colaborador precisa ser propositivo. “Acho excelente, desde que não seja com o princípio de fiscalização do mal. Se for para irritar, que não venha”, ressalta. Cunha diz que a adoção feita por Almir Vieira é positiva. “O Almir me cobra, me questiona”, diz.

Para o vereador Abou Anni (PV), o movimento é construtivo. “Acho satisfatório e importante”, considera. Mas ele não conhece quem o ‘adotou’, a internauta Luciana Santos. “Recebo centenas dos e-mails, 90% sou que respondo, talvez algum dela esteja entre os respondidos”, diz.

Recesso é a demanda mais recente do Adote

De acordo com as assessorias de Anibal de Freitas (PSDB), Antonio Carlos Rodrigues (PR), José Police Neto (sem partido), José Rolim (PSDB), Marco Aurélio Cunha (DEM), Marta Costa (DEM) e Netinho de Paula (PCdoB), os parlamentares ‘adotados’ estavam fora da Câmara devido ao recesso. No caso dos democratas, a informação é de que estavam de férias. A assessoria do vereador Antonio Donato (PT) informou que o petista fez visita à região do Butantã.

Ontem, integrantes da rede questionaram os vereadores via Twitter sobre a ausência dos parlamentares durante recesso, que suspende as plenárias, mas não se trata de férias. Segundo Almir Vieira, dos 55 vereadores, apenas 12 responderam, dos quais oito foram contrários ao recesso.

 

Para Cunha, o recesso é um respiro na legislatura. “Foi um semestre difícil, fiquei horas e horas na Câmara e saí tarde todos os dias de junho. É para ter um processo saudável, não dá para ir num embate até dezembro”, diz. “Normal ter dez dias de pausa, tenho família e uma filha. Trabalhei até hoje [ontem]”, diz.

 

Fonte: METRÔ NEWS