Mais de um terço dos vereadores que tentam reeleição em São Paulo duplicou patrimônio

01/10/2016 15:33

Matéria publicada originalmente pela Folha de S.Paulo

RODRIGO MENEGAT
DE SÃO PAULO

Câmara Municipal de São Paulo Câmara Municipal de São Paulo

Dos 50 vereadores que tentam se reeleger em São Paulo, 18 aumentaram o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral em mais de 100% entre os anos de 2012 e 2016.

Em média, os candidatos a reeleição declararam bens 188% superiores ao que informaram na última eleição -ou seja, registraram um aumento de quase três vezes no patrimônio. No intervalo, a inflação (IPCA) foi de 34,87%.

Nomes como o de Eduardo Tuma (PSDB) e Adilson Amadeu (PTB) chamam a atenção. O tucano aumentou o próprio patrimônio em 2.231%, aproximadamente 23 vezes. Os bens do petebista cresceram cerca de 19 vezes (1.895%).

Em 2012, Eduardo Tuma declarava ter apenas um apartamento no valor de R$ 89 mil. Agora, sua ficha na Justiça Eleitoral lista diversas contas correntes e aplicações bancárias, além de outro imóvel no valor de R$ 920 mil, totalizando mais de R$ 2 milhões. Na divulgação do TSE, o candidato afirma que o novo apartamento foi adquirido através de um "empréstimo do genitor", como antecipação da herança.

Eduardo é membro de uma família com tradição política. O vereador é sobrinho do ex-senador paulista Romeu Tuma, que exerceu o mandato entre 1995 e 2010 -ano em que faleceu- por três partidos diferentes: PL, PFL e PTB.

Amadeu lista dez imóveis na declaração de bens, em uma soma que chega a aproximadamente R$ 8,5 milhões. Um deles, um apartamento localizado no bairro de Santana, zona norte de São Paulo, tem valor declarado de R$ 2,8 milhões. Em 2012, o patrimônio era R$ 428 mil.

Na Câmara Municipal desde 2004, o petebista se notabilizou pela defesa dos taxistas e pela oposição ao UBER.

Em junho deste ano, ele chegou a entrar com uma ação no STF pedindo a anulação do decreto da Prefeitura que regulamentou o uso do aplicativo em São Paulo.

Além dos que enriqueceram, também há vereadores que declaram ter perdido quase todo o patrimônio. É o caso do tucano Salomão Pereira, que elencou bens 90% menores neste ano. Nessa eleição, ele não menciona diversos imóveis de que era proprietário em 2012.

PARTIDOS

O partido que tem mais vereadores entre aqueles que aumentaram o próprio patrimônio em mais de 100% é o PT, que também é dono da maior bancada da Câmara.

Dos dez vereadores da sigla, sete conseguiram ao menos dobrar sua declaração de bens. Em seguida, vem o PHS –seus dois vereadores entram na lista– e o DEM (dois do total de cinco representantes da sigla).

OUTRO LADO

Adilson Amadeu (PTB) afirma que a variação se deve à declaração de imóveis que, antes, estavam no nome de sua ex-mulher. Ele afirma que seu patrimônio não aumentou durante o mandato.

Nabil Bonduki (PT) afirma que a diferença vem, majoritariamente, de um apartamento no valor de R$ 400 mil que não foi declarado ao TSE em 2012, pois estava em nome da mulher do candidato.

Ele também diz que seus imóveis foram listados de acordo com o valor na época da aquisição. Assim, um imóvel recente mostra valor maior do que um antigo, embora os preços de mercado sejam semelhantes. Essa dinâmica, afirma, infla a evolução do patrimônio.

Reis (PT) disse que a variação não vem de seu salário na Câmara, mas de ganhos de capital registrados na compra e venda de imóveis.

A vereadora Edir Sales (PSD) afirmou que a variação se deve à negociação de imóveis, somada ao salário que recebe na Câmara.

A Folha tentou contatar todos os vereadores listados. Os demais representantes não responderam até a publicação dessa reportagem.

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