Líder do PSD diz que maioria da sigla vai votar contra aumento do IPTU

29/10/2013 21:49

Governo tenta obter aprovação nesta terça para evitar protestos marcados.

Caso projeto seja aprovado, seguirá para sanção do prefeito Haddad.

 

Roney DomingosDo G1 São Paulo

A líder do PSD na Câmara de São Paulo, vereadora Edir Salles, disse na noite desta terça-feira (29) que a maioria dos oito vereadores do partido deve votar contra o projeto que revisa a Planta Genérica de Valores (PGV) e provocará o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). O texto deve ser votado em 2ª votação pelos vereadores ainda nesta noite.

Ela diz não temer retaliações do governo contra o partido caso essa tendência se confirme. Na votação anterior, apenas Police Neto, Marco Aurélio Cunha e David Soares votaram contra. "A proposta é,  nesta segunda votação, votar não. Não existe consenso. Creio que a maioria, pelo menos seis ou sete, deve votar contra", afirmou Sales.

Edir disse que o ex-prefeito Gilberto Kassab, presidente do PSD, deixou a bancada livre para votar. Police, que é contra a proposta, estimula uma discussão sobre a intenção do governo de incluir a inflação no cálculo do IPTU dos próximos anos. Uma emenda aprovada na semana passada garantia que a inflação ficaria fora do cálculo.

Apesar de deserções como a do PSD, o governo tenta obter a aprovação nesta terça para evitar protestos marcados para esta quarta-feira em que o texto seria apreciado.

Nesta tarde, o plenário tinha todos os 55 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo, entre eles, o secretário do Verde e do Meio Ambiente, Ricardo Teixeira (PV), que se licenciou temporariamente para assumir a vaga de titular com objetivo específico de garantir o placar favorável ao governo.

Ele assumiu o lugar do suplente Marquito, que na semana passada aprovou o projeto em primeira votação, mas disse ser contra a proposta. O líder da bancada do PT, Alfredinho, afirma que o governo deve ter entre 29 e 30 votos. Para aprovar o projeto, são necessários 28 votos.

Negociações
Nos bastidores da Câmara, só se falava nesta terça-feira em negociação de cargos. Alguns vereadores de oposição confirmam que as subprefeituras e secretarias de governo são a moeda de troca pelos votos. “Um vereador que não quer votar a favor ele é conversado para ter algumas facilidades no governo, entre elas indicar cargos”, disse Gilberto Natalini (PV).

A notícia da negociação teria motivado o PSD a votar contra o projeto. “Isso aí realmente foi uma situação decisiva para nós. Não podemos jamais trocar o nosso voto por cargos. Seria assim de uma insanidade total”, afirmou Edir Salles. Percebendo que a Prefeitura tinha maioria para aprovar o aumento, a oposição partiu para os berros no plenário.

O projeto foi aprovado em primeira votação na quinta-feira (24). A primeira aprovação ocorreu após um longo dia de negociações na Câmara, pois o governo Haddad estava com dificuldade para convencer os vereadores a votar a favor do projeto. Além de diminuir os aumentos máximos, chamados de travas, a Prefeitura concordou em aumentar descontos para aposentados.

Em nota divulgada nesta tarde, o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Rogério Amato, informou que "antecipar a votação do aumento do IPTU é um golpe". A Associação dos Moradores do Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano (Ame Jardins) também divulgou nota para criticar a antecipação da votação.

Matéria publicada orginalmente pelo Portal G1/SP