Após tumulto, Câmara de SP aprova terreno de R$ 20 milhões para o Instituto Lula

18/04/2012 19:04
Durante quase três horas, manifestantes pressionaram os parlamentares a rejeitarem a concessão da área
 
Diego Zanchetta e Isadora Peron - O Estado de S. Paulo

Em sessão tumultuada, com troca de farpas entre vereadores e manifestantes, a Câmara Municipal aprovou em primeira votação o projeto que autoriza a concessão de um terreno da Prefeitura no centro de São Paulo, avaliado em R$ 20 milhões, para o Instituto Lula. Por 37 votos favoráveis, dez contrários e uma abstenção, os vereadores aprovaram a proposta criada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) em fevereiro. Durante quase três horas, cerca de 200 manifestantes presentes nas galerias do Legislativo pressionaram os parlamentares a rejeitarem a concessão da área, localizada ao lado da Estação da Luz.

Votação definitiva deve acontecer em 15 dias - Diego Zanchetta
Diego Zanchetta
Votação definitiva deve acontecer em 15 dias

 

A segunda e definitiva votação deve acontecer em 15 dias, segundo lideranças da base kassabista. O terreno de 4,4 mil metros quadrados vai abrigar o Memorial da Democracia, uma espécie de museu em homenagem ao ex-presidente. A proposta de Kassab, apresentada em fevereiro, fazia parte do plano de aproximação do prefeito com o PT, em uma estratégia que visava pressionar o ex-governador José Serra (PSDB) a sair candidato a prefeito. E a cartada deu certo. Após o flerte de Kassab com os petistas, Serra anunciou sua intenção em disputar as eleições municipais no início de março.
 

Hoje, após duas semanas de obstrução ao projeto de concessão ao terreno feito pelas bancadas do PSDB e do PR, a base do prefeito, mesmo constrangida, atropelou a oposição para homenagear o ex-presidente. Mas o clima esquentou no Legislativo assim que começou a sessão extraordinária para a votação do projeto, por volta das 15h30.

Para tentar acalmar manifestantes que xingavam os vereadores favoráveis ao projeto, o presidente da Casa, José Police Neto (PSD), e o líder de governo, Roberto Trípoli (PV). Só que a dupla por pouco não foi agredida por alguns integrantes do protesto. Parte dos manifestantes acusou Trípoli de tentar agredi-los - o vereador negou a acusação.

Fonte: ESTADÃO.COM.BR