Apenas 3 vereadores se elegeram por conta própria, em SP

15/10/2012 07:23

Por Milton Jung

A maior parte dos vereadores costuma comportar-se na Câmara como representante de apenas uma parcela da cidade. Fazem projetos de lei e brigam para garantir dinheiro no Orçamento que beneficie seu reduto eleitoral. Sabem que isto vai garantir a eles um bom bocado de votos daquele distrito ou do segmento profissional que ajudaram. Deveriam prestar mais atenção nos números desta última eleição e perceber que ao assumir o cargo de vereador têm o dever de agir como representante de todos os paulistanos. Dos 55 que estarão no legislativo municipal, a partir do ano que vem, apenas três conseguiram votos suficientes para se eleger sozinhos. Todos os demais precisaram dos votos que foram dados para os outros vereadores da coligação ou para a legenda.

 

Para entender melhor: a eleição para vereador é proporcional e o número de cadeiras que cada partido ou coligação conquista depende do quociente eleitoral que é o número de votos válidos dividido pelo número de vereadores eleitos. Com 5.711.166 votos válidos para vereador na capital, o quociente eleitoral ficou em 103.843 votos. Ou seja, para ter uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo era preciso no mínimo 103.843 votos. Somente os vereadores Tripoli (PV), Andrea Matarazzo (PSDB) e Goulart (PSD) superaram esta marca. Os demais 52 tiveram que contar com os votos de eleitores de outros vereadores, partidos ou coligação.

 

Um exemplo: Milton Leite (DEM), quarto mais bem votado na cidade, que investe todo seu cacife em bairros da zona sul de São Paulo e se dedica a conseguir dinheiro público para colocar grama sintética em campo de várzea na região, precisou pegar emprestado pouco mais de 2 mil votos de colegas de partido ou coligação, caso contrário ficaria de fora da Câmara.

 

Os números que uso são apenas para ilustrar um cenário que deveria ser respeitado pelos vereadores independentemente do quociente eleitoral. Pois, no momento em que assume o cargo na Câmara Municipal de São Paulo deixa de ser o vereador de seus eleitores, passa a ser o vereador da cidade.