Adote um Vereador e a lição de cidadania

12/06/2011 21:07

 

Por Milton Jung

Um jornalista interessado, uma recém-chegada entusiasmada e a vontade de sempre de contar o que foi feito no último mês estavam em torno das duas mesas que ocupamos no bar do Pátio do Colégio, nesse sábado à tarde, em São Paulo. É lá que o Adote um Vereador escolheu se encontrar uma vez por mês e conversar sobre avanços e recuos no esforço de influenciar o trabalho da Câmara Municipal de São Paulo.

Chico Junior é repórter do Metrô News e queria saber o que acontece nas reuniões do Adote. Conversou com alguns integrantes e “encalhou” ao sentar do lado de Alecir Macedo, dos que mais falam sobre política, cidadania e outras tantas coisas. Sempre de olho na própria pressão, Alecir às vezes parece não crer que a sua pressão sobre os vereadores resultará em sucesso. Interessante, porém, é ver que não desisti nunca. E não é porque é brasileiro, não. É porque nasceu assim, incomodado e interessado.

Luciana Bueno é novata na rede do Adote e experiente quando o tema é política. Mantém contato com parlamentares - no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Quer escolher um vereador para acompanhar o trabalho e se envolver com a política local. Desde agora tem um blog interessante no qual escreve e direciona seus leitores a entender conceitos políticos em discussão na reforma em curso, o Observatório da República.

O primeiro casal da cidadania paulistana, Sonia e Danilo Barbosa, fizeram-se presentes, também. Parece que eles recarregaram as baterias e se deram conta de que são reféns do compromisso que assumiram há alguns anos quando chegaram a São Paulo e se transformaram voluntários do Movimento Voto Consciente. Precisamos deles.

Massao Uehara, Audrey Danezi, Marcos Paulo Dias, Liliane Silva, Frederico Sosnowski. Cláudio Vieira e Camila Migliorini completaram a mesa nas mais de duas horas de bate-papo.

Um dos temas foi a baixa participação popular nas discussões em plenário e nas audiências públicas, além da manipulação que existe em muitas dessas reuniões que impede o debate aprofundado. Boa parte do tempo o microfone é ocupado por parlamentares, assessores de parlamentares, representantes de parlamentares e os convidados dos parlamentares.

Das coisas mais curiosas que ouvi, foi o Alecir quem me contou - ele conta muita coisa. Durante sessão no plenário, acompanhada pela Tv Câmara e comentada pelo Twitter, o vereador Antônio Carlos Rodrigues, do PR, decidiu dar a ele aulas de cidadania.

Lição nº 1 de ACR: “Você precisa conhecer o Regimento Interno para comentar sessões da Câmara”.

Lição nº 2 de ACR: “Entendo a importância do trabalho que vocês realizam e acredito que a fiscalização de parlamentares deve ser sempre pautada pela imparcialidade”.

O ex-presidente da Câmara se engana duplamente.

Para cobrar do vereador basta ser cidadão. O que o Adote um Vereador incentiva é que este cidadão esteja mais próximo do legislativo para entender como a casa funciona (ou não). Conhecer o regimento interno da Câmara Municipal pode ser importante, mas não é fundamental. Aliás, muitos dos vereadores não o conhecem e precisam da ajuda de colegas até mesmo para elaborar um projeto de lei. Não por acaso, usam e pagam com dinheiro público técnicos da área jurídica.

Para ser do Adote, exige-se tudo menos imparcialidade. A rede é formada por blogueiros e voluntários compromissados até o pescoço com a cidadania. E a ideia é aumentar o número de adeptos dispostos a escolher um vereador, abrir um blog e fiscalizar o trabalho dele desenvolvendo seu olhar crítico. Não há nada que exija destes voluntários isenção, apenas ação.

Se você estiver disposto a se unir ao Adote um Vereador, não espere o próximo encontro. Abra logo seu blog, conte para gente e seja mais um cidadão a fazer parte desta rede.